domingo, 20 de fevereiro de 2011

Puro instinto

Vamos ser puro instinto?
Sem ter que falar o que sinto, não minto.
Vamos apenas sentir.
Agir no íntimo, ínfimo e infinito espaço que nos cabe.
Meu corpo sabe muito mais que minha mente, tão inocente...
Teu sorriso é tudo que preciso.
É o paraíso rir a dois.
E se, depois do sexo,
você quiser falar coisas sem nexo,
revelar seus complexos,
te peço: não meça as palavras,
não filtre as mágoas,
deixe a água jorrar,
não queira definir onde isso vai dar,
analisar o que sinto,
o que somos,
pra onde vamos.
Interessa onde e como estamos quando juntos,
aqui e agora
e não o que seremos lá fora,
quando eu for embora.
Não sei de nada,
mas pressinto:
é melhor sermos instinto.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Prazer, mulher

Foto: Alexandre Grand / Modelo: Helen Miranda

Quando eu, mulher, me assanho,
muita gente acha estranho,
tamanho é o preconceito
contra quem tem peito
de se entregar.
O homem?
Ora! Está no direito
quando segue o instinto,
mas se eu sinto o mesmo,
se não minto, fudeu,
quer dizer, não deu
pra continuar.
Afinal, deixa pra lá a louca, não é?
Mulher que dá,
que tira a roupa de primeira,
é pra todos rameira,
enquanto você, meu caro
continua aí, na feira,
caçando outra mulher-fruta.
Como se chama tua conduta?
Filho da...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Caminhada

Foto: Alexandre Grand / Modelo: Fabíola Medeiros
Você caminha
por entre ruas,
entre lama
e pedras,
olhos cansados,
corpo dolorido,
mas continua,
decidida.
O horizonte
te convida
e você anda,
ainda,
e manda
os calos
pro espaço.
Seus passos
não param,
e deixam marcas
na terra.
Às vezes,
você enterra,
aterra sementes,
descrente,
depois planta
e se encanta
com o crescimento
da flor.
Você vê amor
na sua estrada
e quase nada
te tira do prumo,
do rumo.
Por vezes,
eu sumo,
não assumo,
e me embrenho
no mato.
Os ratos
me fazem companhia,
roendo, ligeiros,
os restos.
Às vezes não presto,
mas logo volto
pra trilha,
sonhando
com a minha filha,
lembrando do meu amor
ainda desconhecido.
Quando você se olha
no lago,
vê um corpo novo
bem mais crescido,
assim acrescido
de rugas,
marcas novas
na pele
e um brilho novo
no olhar.
Você mergulha
no mar
e lava a alma,
respira fundo,
com calma
e esquece a revolta.
Você volta
e se solta,
você se joga
e roga
pra poder continuar.
Você ainda pode amar.

sábado, 23 de outubro de 2010

Sem lista VIP

Eu não quero ter fama, sucesso.
Quero progresso pessoal, 
evolução espiritual. 
Eu não quero ter fama, 
quero deitar na cama 
com a consciência tranquila 
e, se, para isso, 
precisar entrar na fila, 
sem direito à lista VIP, 
não tem problema: 
eu pago o cinema 
e ainda banco a pipoca. 
Se toca: 
é a alma que importa.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Na pista

Foto: Alexandre Grand / Modelo: Bia Moraes

Estou na pista,
com fome
e meu nome
é vontade.
Minha verdade
tá na cara,
meu coração,
na boca.
E não me chame
de louca,
só porque uso
pouca roupa,
porque pareço
te dar sopa.
Fala sério!
Eu não faço
mistério,
simplesmente
existo,
no grito.
Comigo
não tem essa
de mito,
de tabu.
Vai tomar no
Ui!
Onde é que
fui
me meter,
nesse papo
com você?
Será que
você não vê
que eu vou
te transcender?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Solteira

Foto: Alexandre Grand / Modelo: Bia Moraes
Sou sol,
solteira,
solta
de bobeira,
doideira
pouca
é bobagem.
Minha bagagem
me permite
transitar
entre o
sim
e o não,
entre o céu
e o chão.
Então,
sua solteira,
besteira
é ficar
à beira
de um ataque
de solidão.
Não!
Carência
demais
é demência,
pura ilusão.
Sou sol,
solteira
e não só,
inteira!

sábado, 18 de setembro de 2010

Efeitos do tempo

Foto: Alexandre Grand / Modelo: Larissa Guitarrara

Iniciativa:
inicio
ativa.
Viva
a liberdade
de começar,
de sair do lugar
e ir ao encontro
do outro.
Sufoco,
pra mim,
é esperar
no ponto,
pronta
para atacar,
desperta,
deserta,
sedenta
de resposta.
Sou daquelas
que aposta
e definitivamente
não gosta
de silêncio,
ou mentira.
E, por mais
que eu prefira
atitudes,
também sou
viciada
em palavras,
sobretudo em voz
e olhares.
Esse negócio
virtual
é muito surreal
e frio.
Só me sacio
com contato
real,
animal,
de pele,
sorriso
e cheiro.
Preciso de inteiro
e não de mero teclado.
Quero ser amada
e não procurada pra sexo
sem nexo.
Também não quero amizade
que não é de verdade,
pra aliviar a carência alheia,
enquanto o parceiro
da outra não chega.
Chega de lenga-lenga
e vê se esfrega essa boca
antes de abri-la pra me falar besteira,
me assediar de qualquer maneira,
tentar me beijar...
Você me conhece?
Não!
Então me esquece.
Não quero fingir,
fazer joguinho
só pra não cutucar o seu medo
e corresponder a seus anseios.
Jaz aqui nos meus seios
esse leite empedrado
que nunca foi mamado
e parece que nunca será.
Será?